segunda-feira, 9 de novembro de 2015

SESC PROMOVE OFICINA: CAPOEIRA, DANÇA E PROCESSO CRIATIVO

Dias 13, 20 e 27/11. Inscrições gratuitas

O Sesc Alagoas, através da Coordenação Artístico Cultural (CARC), realiza nos dias 13, 20 e 27/11 a oficina “Capoeira, Dança e Processo Criativo”, com os professores Jailton Oliveira e Denis Angola, na Sala multieventos da Unidade Sesc Poço.
Serão ofertadas 10 vagas e as inscrições devem ser feitas através do e-mail: denisangola@gmail.com



Sobre a Oficina
Um espaço de pesquisa para articular dança em processo é a Capoeira. Na oficina serão abordados alguns elementos do jogo da capoeira, são a “Ginga”, a “Chamada”, que é um fragmento do jogo da capoeira angola, assim como o “Jogo de Dentro”.

Também será investigada a parte corporal, a partir da improvisação de contato, elemento que influencia o corpo a produzir diálogos em composições e que será forte referência para o processo criativo proposto na oficina.

Serviço:
Oficina: Capoeira, Dança e Processo Criativo
Local: Unidade Sesc Poço
Data: 13, 20 e 27/11/2015
Informações: 3326-3133

http://www.sescalagoas.com.br/imprensa/noticias/index.asp?vCod=1320&idioma=pt

sexta-feira, 29 de março de 2013

MIRAGENS EM CORPOS URBANOS


Foto: Jorge Schutze

Sob minha ótica, sob meu olhar que assim como no movimento pode haver desvios, assim como o corpo pode conter movimentos não correlacionado é que começo este texto com uma reflexão sobre o que vemos e o que parece que vemos.
Durante o processo de pesquisa dançar esta sendo a maior preocupação, movimentar-se, deixar o corpo conduzir a ação, deixar a dança-capoeira entrar nos poros e criar uma movimentação tem sido um processo interessante da pesquisa no sentido que dançar dentro da linguagem da capoeira e ao mesmo tempo saindo das regras da linguagem tem me dado material importante para futuros trabalhos com dança.
A Capoeira traz um manancial de possibilidades de ações corporais a exemplo da “Ginga” que da base as ações no jogo na capoeira, como também a “Chamada” que é um fragmento do jogo da capoeira angola onde aparentemente serve para descansar, quando trago para a dança as possibilidades da utilização dela são imensas, pensando no jogo corpo a corpo o momento que nós estamos fazendo o “Jogo de Dentro” outro momento que investigamos o quanto na dança da material para pesquisa.
Outro elemento que é intrínseco a capoeira é a musica que dá ritmo ao corpo que dança ou joga, neste sentido estamos explorando a musicalidade nas ações realizadas na rua, e tem sido o momento em que o Urucungo está presente ritualizando o momento.
Estamos no meio da pesquisa, estamos dançando em espaços abertos e trazendo a improvisação para as ações, porém já experimentadas e o projeto nesses 4 meses já realizou algumas performances.
No projeto Urucungo em Cenas Urbanas, deixei aberto a possibilidade de convidar outros corpos para compor, assim como convidei Jorge Luis Schutze para registrar o projeto durante 8 meses, resolvi que o projeto poderá convidar para algumas performances especificas a assim poder redirecionar custos. Tendo em vista as desistências de alguns participantes.
Infelizmente no percurso alguns tiveram que sair do projeto, Keka Rabelo, João Evangelista e Ana Carla Moraes, com isso eu tive que convidar 2 bailarinos que pudesse ajudar nas pesquisas para esses últimos 4 meses, então convidei para dançar no projeto Joelma Ferreira e José Edson e apesar da mudança, tem sido interessante no sentido de que proponho pesquisar e realizar performances com o que assimilamos nas aulas. Tem sido desafiador.
Também, por necessidade do projeto convidei Jorge Schutze, para registrar as ações do projeto: aulas, performances e tem sido rica suas contribuições que vai além do registro fotográfico e de vídeo Maker.
Foi Através de Jorge Schutze que fomos convidados a participar de um dos mais interessantes festivais em paisagens urbanas que acontece na cidade de São Paulo, fomos convidados a demonstrar nosso projeto no 8º Edição do Festival Visões Urbanas, que aconteceu na Cidade de São Paulo, sobre o festival acessar: http://www.visoesurbanas.com.br/. http://urucungo.blogspot.com.br/
Antes de ir ao festival fizemos um experimento em Maceió, mesmo com a saída de um dos dançarinos, ainda assim, percebi a força e a positividade da pesquisa e vejo fluindo com bastante maturidade cada acontecimento e tenho visto isso nas execuções dos experimentos, por exemplo o que realizamos no dia 20 de Março de 2013, onde propus ao grupo compor na linha do Trem, no centro da Cidade de Maceió.
Foto: Jorge Schutze

Dançar sob linhas foi importante. Tentar movimentar-se com tantas dificuldades foi interessante, pois foi na dificuldade que surgiram composições, num ritual entre carros, transeuntes, corpos, capoeira e musicalidade, que naquele momento se configurou a ação do projeto em si, a ação de dançar em espaços urbanos sob o foco da movimentação da capoeira.
Foto: Jorge Schutze

Voltando a falar de nossa participação no Festival Visões Urbanas, primeiro quero falar que sair com o projeto e poder observar outras possibilidades de dançar em espaços urbanos muito enriqueceu nossos olhares sobre composições em dança contemporânea num nível internacional.
Foto: Jorge Schutze

Foi instigante algumas questões, uma delas a de ter um público olhando a aplaudindo a cada performance apresentada, nada comum ao que nosso projeto sugeri, pois é a composição e não os aplausos que fez com que eu pensasse na proposta do projeto, isso me fez ter medo, fez meu corpo pedir um pouco mais de dança, um pouco mais de responsabilidade.
Foto: Jorge Schutze
Então, no dia 22 de Março de 2013, durante o festival o grupo decidiu ir a uma Praça em São Paulo para dançar, improvisar e conversar através do movimento e foi importante para nossa apresentação no dia seguinte. Na praça algo de apropriar-se do corpo e compor em cenas, entre cachorros, crianças, adultos e idosos, me fez pensar que estamos no processo de maturação, no processo de comunicação corporal se fortalecendo, se configurando no próprio ato de improvisar, no próprio ato de dançar.
Foto: Jorge Schutze

No dia 23, pela manhã tudo pronto, todos prontos, foi assim que fomos à praça, com nosso projeto, com nossa cara, com nosso corpo-capoeira-dança, com nossa simplicidade, com um Urucungo na mão fomos dançar, num ritual entre pedras e arvores, entre pessoas e bichos, entre voz e movimento, entre círculos e improvisos, foi assim que realizamos o experimentamos aquilo que poderia chamar de Ritual Urucungo, pois não era apenas a capoeira, não era apenas a dança, nem tampouco o festival, o que instigava o grupo, mas sim as pessoas, com seus olhares, suas participação tímida, cantando baixinho, fazendo a chamada, montando nas costas, e compondo com o grupo, um Ritual em Cenas Urbanas, proporcionado pelo festival em paisagens urbanas.
Foto: Jorge Schutze

Estamos no meio do processo de pesquisa do projeto, e alguns posso afirmar que nestes 4 meses passados, tivemos algumas perdas e ganhos, arrisco a dizer que o projeto Urucungo em Cenas Urbanas tem proporcionado comunicação com o corpo, com a capoeira, com a dança em perspectivas contemporânea.

Foto: Jorge Schutze